sábado, 26 de fevereiro de 2011

Tudo tem começo, meio e fim?

Pois é ... primeira montagem!
Que raios é isso?

Ai, passa tanta coisa na minha cabeça: medo, ansiedade, realização , enfim, um mundo de emoções.
Essa semana recebi o convite da Mafê para escrever no Blog e estava bem sem ideias, confesso que ainda estou e por isso, estou enrolando você, leitor. (Booooooa!)

Fiquei pensando muito na frase: "Tudo tem começo, meio e fim", uma das falas de nossa montagem. Mas eu pergunto a você, tudo tem que ter começo, meio e fim para existir? E o círculo?

Ainda não tenho essa resposta, mas pensei muito esta semana no que discutimos no PA1: o teatro precisa ter um sentido. Na verdade, para mim, ele é o sentido em si.

Por isso, tenho muita alegria quando penso que vamos apresentar no palco: história, filosofia, questionamentos. Assim é a arte.

....

Vamos em frente!
A aula deste final de sermana será dia de elástico, máscaras e reflexões...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

máscaras, teatro noh e a porta


(máscaras do teatro noh)

já é quinta e eu não tive tempo nenhum de procurar qualquer máscara para levar no domingo como o professor tinha pedido. esse negócio de ir pra faculdade, emendar no trabalho e ter aula de teatro no domingo é um pouco de loucura. não sobra tempo pra quase nada e eu que já sou um pouco surtada, acabo ficando à flor da pele.

como não vou conseguir caçar máscaras pela cidade, resolvi pesquisar na internet mesmo alguma coisa sobre elas e qualquer coisa básica sobre a utilização delas no teatro. o próprio símbolo do teatro é formado por duas máscaras, uma representando a comédia e a outra a tragédia.

as máscaras eram comumente usadas no teatro grego que, inicialmente, era representado apenas por atores homens que faziam também os papéis femininos. quando em cena, as máscaras tinham a função de dar uma proporção maior para o rosto do ator (eram desproporcionais ao tamanho do corpo) e, com isso, acentuavam também os traços expressivos. vale ressaltar que tais características se faziam necessárias, pois o teatro era feito a céu aberto e para uma grande platéia. além destas funções, as máscaras proporcionavam uma maior propagação da voz do ator.

pesquisando o que me impressionou mesmo foram as máscaras do teatro noh, uma forma de teatro japonês. o noh é uma mistura de teatro com musical, poesia e máscaras. é super complexo, pesquisei meio por cima. talvez seja interessante perguntar se o professor conhece alguma coisa, pois o coro é importante elemento do teatro noh.

seria muita viagem propor fazer um coro grego com máscaras do teatro japonês? hahaha.

(foto da peça "A Porta" da Cia. Trovoada)

pensando um pouco em máscaras lembrei da peça “a porta” da cia. trovoada que vi o ano passado na ECA antes de eles entrarem em cartaz. é uma peça na qual os atores usam máscaras o tempo todo, mas nela as máscaras não tem a mesma função que as máscaras tinham no teatro grego. a peça, inclusive, é muda. quando assisti fiquei pensando quão difícil deve ser encenar de máscara já que elas tem uma expressão “fixa” e, geralmente, o personagem mergulha em diversos sentimentos distintos durante uma peça. como transparecer diferentes emoções sem utilizar as feições do rosto? eu sempre soube que a emoção deve estar no corpo todo, mas parece difícil difícil colocar isso em prática. aula de corpo total!

dei uma pesquisada também na função do coro no teatro grego e vários outras coisas. mas isso é papo pra outro post (eu tô no trabalho! :x)

ps.: a amanda agora vai escrever também pro blog! uhu!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

gesto psicológico

enquanto esperava o lucas passar aqui depois da faculdade, peguei o "para o ator" pra ver se o conceito de gesto psicológico (GP) ficava mais claro. peguei o livro sem grandes aflições, tendo na cabeça o que o zé disse na última aula: se o conceito não te ajudar, deixe ele entrar por uma orelha e sair pela outra.


segundo, chekhov o GP é capaz de estimular nossa força de vontade e dar-lhe uma forma definida, despertar sentimentos e, com isso, oferecer-nos uma forma condensada da personagem. por meio do gesto nós penetraríamos e estimularíamos as profundezas da psicologia da personagem. dessa forma, ele ensina como criar o GP. primeiramente, devemos nos perguntar qual é o principal desejo da personagem e a partir desta sugestão, construir o GP, ajustando o gesto até que todo nosso corpo esteja ocupado.


por exemplo, penso que minha personagem seja autoritária e agressiva. faço um gesto x com o objetivo de expressar tais características. devo expandir este gesto até que todo o meu corpo esteja envolvido. é com esse exercício, com a criação deste GP principal, que o ator seria capaz de penetrar na essência psicológica da personagem. diante desse GP principal, o ator poderia desenvolver GPs menores e secundários para cada cena ou contexto diferente em que a personagem estiver. ele explica ainda que o GP deve ser arquétipo, forte, simples e bem formado, já que seu objetivo é resumir a psicologia da personagem de forma facilmente verificável, comprimindo-a em sua essência.


os aulas de corpo começaram a ficar mais claras, mas meeeesmo assim a coisa é complicada. as "formas" que a renata nos fez elaborar e depois ensinar para um colega, muito provavelmente, devem compreender a GPs do determinado bicho que imaginamos diante do exercício que ela propôs.


agora vou voltar a esperar meu nego, pra dar e receber muitos carinhos (maravilha!).


ps.: joguei no youtube "gesto psicológico" e achei um bocado de estudos disso.


o início

é com um frio na barriga que começo a registrar o processo criativo da minha primeira montagem teatral. como estudante do teatro escola macunaíma, disponho-me a mergulhar inteiramente nesta aventura. este blog tem o único objetivo de servir como ferramenta para que nada neste semestre se perca ou se esqueça. serve unicamente para deixar registradas todas as horas de estudo empenhadas na criação da peça.

no último domingo escolhemos o texto que vamos encenar. fiquei muito contente com a escolha e, principalmente, aliviada! vamos fazer uma peça com impacto, marcante e não apenas algo bobo que se vê e no segundo pedaço de pizza depois do teatro, é esquecido entre molho de tomate e azeitona.

a peça é "deus" do woody allen. pra mim, melhor impossível ter como minha primeira peça “de verdade” algo do woody. um dos meus diretores de cinema preferidos numa peça recheada de ironia e filosofia com uma pitada de neurose que só os fãs de woody allen sabem compreender e admirar.

partiremos de uma adaptação do texto original já feita por nosso professor. vamos expandir bastante essa primeira idéia e modelá-la cuidadosamente para que a peça fique com a cara da turma. por isso o professor sugeriu que nos dividíssemos em dois grupos: um grupo de pesquisa e outro de dramaturgia. o grupo de pesquisa será o responsável por estudar todo o contexto da peça, por mergulhar no estudo da filosofia e do teatro grego, bem como na obra do woody allen. já o grupo de dramaturgia trabalhará diretamente em cima do texto, buscando adaptá-lo a nossa realidade e tempo, além de adequá-lo ao tema de nossa mostra, "ética". a fim de guiar nossos estudos, o professor deu uma série de sugestões para tomarmos como ponto de partida. sugeriu que víssemos "poderosa afrodite" um filme do próprio woody allen que começa e termina com um coro.


o coro é um dos recursos teatrais presentes na peça. na última aula, fizemos diversos exercícios com o objetivo de descobrir a complexidade dele. a questão da sincronia da voz e dos movimentos, da atenção. em um dos exercícios, o professor nos organizou como um pelotão do exército. ficamos batendo os pés no chão, como uma marcha. todos seguindo o mesmo ritmo, batendo o mesmo tempo. em cima disso, o professor nos fez cantar a marcha dos elefantes (aquela que aparece no filme do mogli), com algumas adaptações para adequá-lo à "questão teatral", além de criar uma coreografia para a música. foi bem difícil.

para a próxima aula o professor lançou uma outra tarefa: máscaras! temos que pesquisar máscaras e levar algumas para o próximo ensaio.


enquanto isso, nossa professora de corpo está introduzindo o conceito de gesto psicológico em nossas aulas. esse é um conceito que até agora não entendi muito bem. temos feito vários exercícios com o objetivo de concentrar a nossa vontade de movimento num ponto específico do corpo, é um ponto que se encontra basicamente três dedos pra baixo do umbigo. assim, ela nos faz caminhar com os joelhos um tanto flexionados e concentrar nossa “força” neste determinado ponto. conforme caminhamos ela pede que observemos um traço de nosso corpo (braços, pescoço, ombros) e exageremos esse ponto (ex. começar a balançar os braços de forma exagerada). então, pede que imaginemos um animal que se assemelhe com essa “forma” que tomamos e criemos 3 posições, porém posições com algum sentido. no último domingo criei um pássaro e minhas três posições foram: posição de proteção da cria, de ataque e de exibição. depois tivemos que ensinar nossas posições para um colega.

para a próxima aula, pediu para lermos o capítulo “o gesto psicológico” do livro “para o ator” do michael chekhov. o mais legal é que ganhei esse livro hoje! da isa, uma das minhas melhores amigas!!! também temos que levar um elástico, desses que tem em calça, para um exercício.

por hora é só! ;)